sábado, 1 de agosto de 2009

Mensagem: O Analfabeto Político

Como mencionei, na postagem anterior, tenho vários textos que podem ser trabalhados com os alunos acerca desta temática: política.

Há diversos pontos conexos, tanto a nível nacional quanto internacional, tais como: a ética, o mensalão, a ditadura militar no Brasil, a instabilidade política da América Latina, o populismo "autoritário", entre outros.

Hoje, estou postando "O Analfabeto Político", justamente, para servir de base às discussões acerca da importância da eleição, do voto, do histórico dos candidatos (quesito que muitos de nós esquecemos de lembrar na hora do sufrágio), o cenário atual da política do Brasil etc.

Imagem capturada da Internet




O ANALFABETO POLÍTICO

Bertolt Brecht
O pior analfabeto
É o analfabeto político,

Ele não ouve, não fala,
Nem participa dos acontecimentos políticos.

Ele não sabe o custo da vida,
O preço do feijão, do peixe, da farinha,
Do aluguel, do sapato e do remédio

Dependem das decisões políticas.

O analfabeto político
É tão burro que se orgulha
E estufa o peito dizendo
Que odeia a política.

Não sabe o imbecil que,
da sua ignorância política
Nasce a prostituta, o menor abandonado,
E o pior de todos os bandidos,
Que é o político vigarista,
Pilantra, corrupto e lacaio
Das empresas nacionais e multinacionais.

sexta-feira, 31 de julho de 2009

Crônica: O diabo e a política



Imagem capturada da Internet

Em nenhum momento, quero ratificar uma posição apolítica de minha parte, de descrédito total à política e aos políticos do Brasil. Mas, ignorar os escândalos e as corrupções que rodeiam o universo desta e de seus membros ativos envolvidos é permanecer indiferente às causas éticas, sociais, políticas e econômicas do país.
 
Política é um tema bastante rico de ser discutido em sala de aula e eu poderia, inclusive, postar diversos textos introdutórios para conduzir tais discussões.
 
Em geral, a maior parte dos alunos não gosta de temas ligados à política, pois os consideram chatos e de difícil compreensão... Mas, à partir do momento que muitos são eleitores ou futuros votantes, cabe sim, levar a discussão para a sala de aula.
 
Não só neste aspecto, mas também para atualizá-los quanto aos problemas que vinculam a nossa realidade, no âmbito da política brasileira e quanto a importância da interação do cidadão comum nesta área.
 
A política do Brasil é, na verdade, o retrato do povo que lhe elegeu. Daí, a necessidade de tratarmos deste assunto com eles, os alunos.
 
Com relação a isso, vou postar alguns textos e crônicas acerca deste tema.
 
O DIABO E A POLÍTICA
                                                                                         Carlos Heitor Cony
 Naquela aldeia, todos roubavam de todos, matava-se, fornicava-se, jurava-se em falso, todos caluniavam todos. Horrorizado com os baixos costumes, o frade da aldeia resolveu dar o fora, pegou as sandálias, o bordão e se mandou. Pouco adiante, já fora dos muros da aldeia, encontrou o Diabo encostado numa árvore, chapéu de palha cobrindo seus chifres. Tomava água de coco por um canudinho, na maior sombra e água fresca desde que se revoltara contra o Senhor, no início dos tempos.
 
O frade ficou admirado:
 
O que está fazendo aí, nessa boa vida? Eu sempre pensei que você estaria lá na aldeia, infernizando a vida dos outros. Tudo de ruim que anda por lá era obra sua, assim eu pensava até agora. Vejo que estava enganado. Você não quer nada com o trabalho. Além de Diabo, você é um vagabundo!”.
 
Sem pressa, acabando de tomar o seu coco pelo canudinho, o Diabo olhou para o frade com pena:
 
Para quê? Eu trabalho desde o início dos tempos para desgraçar os homens e confesso que ando cansado. Mas não tinha outro jeito. Obrigação é obrigação, sempre procurei dar conta do recado. Mas agora, lá na aldeia, o pessoal resolveu se politizar. É partido pra lá, partido pra cá, todos têm razão, denúncias, inquéritos, invocam a ética, a transparência, é um pega-pra-capar generalizado. Eu estava sobrando, não precisavam mais de mim para serem o que são, viverem no inferno em que vivem”.
 
Jogou o coco fora e botou um charuto na boca. Não precisou de fósforo, bastou dar uma baforada e de suas entranhas saiu o fogo que acendeu o charuto:
 
Quando entra a política, eu dou o fora, não precisam mais de mim”.

Escândalos no Senado II: Artigo do Folha OnLine



Desde ontem, os principais jornais televisivos transmitem o pronunciamento do nosso presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva acerca dos escândalos no Senado e, inclusive, se colocando totalmente indiferente, neutro à figura e às denúncias contra o presidente do Senado, José Sarney.

Como eu havia postado a respeito da Crise no Senado, achei oportuno compartilhar - neste espaço - o artigo do repórter (Folha OnLine) Valdo Cruz, publicado hoje.

A grande expectativa fica para semana que vem, quando termina o recesso parlamentar e o Conselho de Ética iniciará a abertura e a análise dos processos com as diversas denúncias contra José Sarney, os quais podem levar à cassação de seu mandato.
Confiram o artigo...

31/07/2009
O problema é do Lula, sim!
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse ontem que o futuro do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), não é problema seu. Questionado se discutiria com o aliado peemedebista seu futuro à frente do comando do Senado, Lula disparou: "Não é um problema meu [a permanência de Sarney]. Eu não votei para eleger Sarney presidente do Senado nem votei para ele ser senador do Maranhão (sic)", confundindo o Estado pelo qual o peemedebista foi eleito, o Amapá.

Com todo respeito, nada mais falso. Verdade que, votar, ele realmente não votou em Sarney. Mas que trabalhou pela eleição do aliado, ah, isso ele fez. Que o diga o senador petista Tião Viana, derrotado por Sarney na disputa pelo comando do Senado. Na época, o petista reclamou da falta de apoio do Palácio do Planalto.

Ao dizer ontem publicamente que Sarney não é problema seu, Lula não foi fiel ao que vinha dizendo em particular. Ao próprio presidente do Senado e demais aliados peemedebistas, Lula mais de uma vez defendeu a permanência de Sarney no cargo. Reiterou esse apelo nessa semana, durante conversa por telefone.

O mesmo presidente que ontem disse que Sarney não é problema seu comandou uma operação para enquadrar os senadores petistas antes do recesso parlamentar, quando a bancada do PT no Senado ensaiou abandonar o peemedebista. Foi um rolo compressor, constrangedor para os senadores. Na época, ele foram obrigados a desdizer o que já haviam dito sobre Sarney.

Agora mesmo, na reta final do recesso, Lula entrou em ação para solicitar a seus companheiros que maneirassem no tom em relação ao presidente do Senado. E prometeu ao PMDB trabalhar, mais uma vez, para que nem todos os 12 senadores do PT abandonem José Sarney em seu momento mais delicado.

O fato é que Lula já defendeu publicamente Sarney várias vezes. Estava pegando mal junto ao eleitorado. Daí que ele já havia avisado que passaria a ser econômico nas palavras em relação ao presidente do Senado, evitando novas declarações públicas de apoio. Mas não se furtaria a trabalhar nos bastidores em nome do peemedebista.

E dificilmente Lula poderá abandonar totalmente Sarney. Afinal, ele sabe muito bem o problema que criará se assim o fizer. Um PMDB abandonado no Senado pode dar o troco nos trabalhos da Casa, mais precisamente na CPI da Petrobras. Tudo que Lula não deseja.

A dúvida é sobre a resistência de Sarney diante do agravamento da crise que enfrenta desde sua posse, em fevereiro. Familiares dizem que estão pressionando pela sua saída. Mas os aliados mais próximos no PMDB garantem que ele está firme no posto e comandando a estratégia de sobrevivência, que passa pela representação no Conselho de Ética contra o líder tucano no Senado, Arthur Virgílio.

A verdade é que o cenário está um pouco nebuloso nessa semana. Na próxima, com a volta dos trabalhos do Congresso, tende a ficar mais claro. Até lá, nada deve acontecer.

Valdo Cruz, 48, é repórter especial da Folha. Foi diretor-executivo da Sucursal de Brasília durante os dois mandatos de FHC e no primeiro de Lula. Ocupou a secretaria de redação da sucursal. Escreve às terças.

E-mail:
valdo@folhasp.com.br


Fonte: Folha OnLine

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Escândalos nos Senado: As denúncias protocoladas contra José Sarney


Muito se ouve falar acerca das denúncias contra José Sarney (PMDB-AP), o presidente do Senado e estas não são poucas...

Como a política é uma área de pouco afinidade entre a grande maioria dos estudantes, achei oportuno postar as acusações que pairam sobre a sua atitude e ética enquanto membro ativo do governo, eleito pelo povo e presidente do Senado.

Os escândalos que envolvem o senador José Sarney iniciaram no mês passado e, desde então, a pressão vem aumentando, com pedidos para que o mesmo tire licença ou renuncie ao cargo.

Os pedidos, encaminhados ao Conselho de Ética, deverão ser analisados agora, em agosto, após o recesso parlamentar.

As principais denúncias protocoladas no Conselho de Ética contra o Senador José Sarney são, em ordem cronológica (
Revista Época):
 
. 29 de junho: O neto e o crédito consignadoO senador Arthur Virgílio (PSDB-AM) entregou um documento com 18 acusações contra José Sarney, todas divulgadas na imprensa. Entre estas há denúncias de que vários atos secretos beneficiaram parentes do senador e de alguns de seus aliados.

A mais grave de todas, publicada no jornal Estadão, se refere ao esquema do crédito consignado para os funcionários do Senado, o qual incluía entre os seus operadores José Adriano Cordeiro Sarney, neto do senador José Sarney.

Dono da empresa Sarcris Consultoria, Serviços e Participações Ltda, José Adriano intermediava – desde 2007 - a concessão de empréstimos - de seis bancos - aos servidores, com desconto na folha de pagamento.
 
. 30 de junho: Atos secretos
O Partido Socialismo e Liberdade (Psol) protocolou representação, na qual solicita investigação sobre a suposta quebra de decoro parlamentar cometida pelo presidente do senado José Sarney: atos secretos tiveram “suspeição relevante”.
 
. 10 de julho: Suposto desvio de dinheiro da Petrobras
O senador Arthur Virgílio (PSDB-AM) entregou pedido solicitando investigação acerca do suposto desvio de R$ 500 mil realizado pela Fundação José Sarney – entidade privada instituída pelo presidente do Senado.
 
Segundo reportagem do Estadão, a entidade recebeu R$ 1,3 milhão da Petrobras para digitalizar todo seu arquivo, mas o trabalho nunca saiu do papel.
 
. 14 de julho: Acusação de mentir no PlenárioO senador Arthur Virgílio (PSDB-AM) protocolou ação contra Sarney declarando que ele mentiu ao Plenário, no dia 9 de julho, quando este afirmou não ter “responsabilidade administrativa” sobre a Fundação José Sarney, que teria desviado dinheiro da Petrobras.

Uma reportagem do jornal Estadão, publicada no dia 10 de julho, já havia divulgado que o senador era o presidente vitalício e fundador da referida entidade, tendo – por isso - como uma de suas prerrogativas “assumir responsabilidades financeiras”.
 
. 23 de julho: O namorado da netaO senador Arthur Virgílio (PSDB-AM) denunciou Sarney por sua suposta participação em uma negociação para dar emprego ao namorado de sua neta, Maria Beatriz, no Senado.

O senador Arthur Virgílio se baseou na reportagem publicada pelo Estadão, do dia 22 de julho, com áudios da operação Boi Barrica, da Polícia Federal.

Nas gravações, seu filho Fernando Sarney diz à filha que precisa falar com o ex-diretor-geral do Senado, Agaciel Maia, e com José Sarney, para tentar arrumar emprego para o namorado da mesma.
 
. 28 de julho: PSDB entra com três ações contra SarneyO presidente do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), Sérgio Guerra (PE), protocolou três denúncias contra José Sarney, baseadas nas quatro ações que Arthur Virgílio (PSDB-AM) havia proposto sozinho.

As três ações dizem respeito às acusações nos casos da Petrobras, dos atos secretos e do crédito consignado aos funcionários do Senado.
 
. 29 de julho:Psol denuncia quebra de decoro
O Partido Socialismo e Liberdade (Psol) entregou uma representação, acusando José Sarney de quebrar o decoro parlamentar por vários motivos: omissão de um imóvel em sua declaração de bens à Justiça Eleitoral; o uso de recursos públicos de forma irregular por meio da Fundação José Sarney e pelas mentiras ao prestar informações sobre a relação de com a entidade.
 
. 29 de julho: Sarney teria vendido terras sem pagar imposto
Arthur Virgílio (PSDB-AM) e Cristovam Buarque (PDT-DF), também, protocolaram denúncia contra José Sarney baseados em artigo publicado no jornal Folha de S. Paulo, no qual o senador é acusado de vender terras na divisa de Goiás com o Distrito Federal (Fazenda São José do Pericumã), as quais nunca foram registradas em seu nome. Utilizando deste artifício, este deixou de pagar impostos.

José Sarney comprou a Fazenda São José do Pericumã no início dos anos 80 e a vendeu em setembro de 2002.
 
. 29 de julho: Informações privilegiadas da Polícia FederalArthur Virgílio (PSDB-AM) e Cristovam Buarque (PDT-DF) formalizam denúncia contra Sarney, acusando o agente da Polícia Federal Aluizio Guimarães Filho – cedido pelo Palácio do Planalto ao senador José Sarney, na cota de funcionários de ex-presidentes – de passar informações privilegiadas da Polícia Federal ao grupo comandado pelo filho do senador, Fernando Sarney. A denúncia foi feita pelo jornal Correio Braziliense.

Artigo: Perigo à vista para o futuro do pré-sal

Artigo publicado, hoje, no site Último Segundo e transcrito originalmente neste espaço (a exceção dos meus grifos).

Perigo à vista para o futuro do pré-sal
Dia vai, dia vem, e o tema do pré-sal volta ao noticiário com novidades, especulações sobre alguma coisa que se manifesta como uma espécie de sebastianismo salvador, dada a enorme expectativa criada em torno da descoberta de expressivas reservas de petróleo. A subjetividade do termo "expressivas" é adequada ao conceito econômico de reservas.

Ou seja, o petróleo só é viável se o custo de extração, processamento e transporte para o mercado consumidor for menor do que esse mercado está disposto a pagar.

Em outros termos, enquanto não soubermos quanto vai custar esse novo petróleo, será impossível conhecer a dimensão exata da riqueza que poderá proporcionar ao País.

Três desafios se impõem nessa etapa: 1) tecnológico, por causa das características geológicas e da profundidade na qual se encontra o óleo, que, seguramente, será superado pela reconhecida competência técnica da Petrobrás; 2) logístico, por causa das enormes distâncias das descobertas em relação à costa; 3) financeiro, pois, se confirmados os volumes de reservas, as necessidades de capitais será de um volume monumental, podendo alcançar a US$ 1 trilhão para que seja disponibilizado o produto.

Diante dessas incertezas, a única certeza é que, para essas descobertas feitas pela Petrobrás e diversas outras empresas, foi decisivo o papel da Lei 9478/97, conhecida como Lei do Petróleo, que flexibilizou o monopólio da União, permitindo a entrada de novos agentes no processo de exploração do petróleo nacional. Gostem ou não alguns, a lei é um sucesso. E, como a lei é um sucesso, querem mudar a lei.

E aí começa o festival de absurdos: sem saber exatamente quanto do petróleo será efetivamente convertido em reservas (o que só ocorrerá daqui a alguns anos), o governo sinaliza a alteração do modelo de concessões.

No modelo atual, o Estado, por meio da Agência Nacional do Petróleo (ANP), controla o processo produtivo, cobrando as taxas e impostos decorrentes da produção, que vão diretamente para os cofres do Tesouro Nacional para serem distribuídos, segundo normas legais, para Estados, municípios e órgãos da União.

O processo é transparente e vantajoso para a sociedade, que vê os recursos do petróleo imediatamente transformados em meios que podem, a critério do governo, ser utilizados para segmentos sociais (saúde, educação, etc.) ou infraestrutura. Esses valores representam, atualmente, cerca de 65% do valor do petróleo extraído, podendo ser majorado, no que tange às participações especiais, apenas com a alteração de um decreto presidencial.

E aí dizem (sem que ninguém pare para pensar por quê) que o "modelo de partilha" é melhor, pois o governo poderá "controlar melhor" a produção. Atualmente, todo o processo produtivo é controlado pela ANP.

Nenhuma empresa pode determinar, segundo sua vontade, como e quanto petróleo pode chupar do subsolo, como se sorvesse um milk-shake na lanchonete da esquina.

É também importante ressaltar que no modelo de partilha o governo fica sócio do petróleo extraído! E aí que entra a tal "empresa estatal enxuta" (uma contradição na origem) que se pretende criar para "gerir" esses recursos. Perigo à vista! Já imaginaram quem vai indicar os diretores dessa empresa? Já pararam para pensar no que significa uma empresa estatal vendendo petróleo, fazendo negócios com países como China, Rússia ou Venezuela?
Não por acaso (basta ver a lista), os países que adotam o modelo de partilha são aqueles dominados por regimes autocráticos, onde o governo se confunde com os interesses petrolíferos para a execução de transações pouco transparentes.

Não falo deste governo. Falo de um modelo que, se adotado, será um enorme retrocesso em um setor que se notabilizou pelas regras estáveis e uma reputação de lisura em suas licitações e execução de seus contratos.

Ainda nesse aspecto da mudança da legislação, todos sabemos como entra um projeto no Congresso, mas nada sabemos sobre como ele sairá. Qualquer proposta de alteração da legislação atual encontrará um Congresso conturbado e às vésperas de uma eleição presidencial. Todos desejarão seu quinhão. Mais perigo à vista...

Por fim, nenhuma política pública está sendo formulada para que os recursos financeiros desse petróleo finito e altamente poluente sejam parcialmente utilizados para a inserção do Brasil nas modernas economias voltadas à produção de energia renovável e menos poluente. Transformar o finito sujo em perene e limpo.

O mundo está freneticamente em busca dessas energias modernas e se afastando cada vez mais do petróleo.

Não podemos correr o risco de, sendo o país mais avançado em uso de energias renováveis, ficarmos para trás nessa transição energética pela qual passam as economias deste sofrido planeta. Nunca é demais lembrar que a Idade da Pedra não terminou porque as pedras deixaram de existir.

Curiosidade: Pato Mergulhão e o Meio Ambiente

 

Imagem de Sávio Bruno, capturada na Internet
(Serra da Canastra - São Roque de Minas/MG)


Ultimamente, algumas notícias têm sido vinculadas à ocorrência do pato-mergulhão (Mergus octosetaceus) no Brasil.

Hoje mesmo, o Globo Rural (diário) da emissora de Televisão Globo transmitiu uma reportagem sobre o caso da referida ave em um trecho do rio Novo, no Parque Estadual do Jalapão, no Tocantins.

Recentemente, eu recebi por e-mail, um Boletim de Notícias do Instituto Ciência Hoje, no qual uma das matérias era “Pato-mergulhão: termômetro ambiental Documentário mostra hábitos de ave rara que pode ser bandeira de conservação do rio São Francisco” (Boletim CH n° 202).

O referido artigo apresenta um documentário acerca dos hábitos do pato-mergulhão. O vídeo, recém-lançado pela Universidade Federal Fluminense (UFF), teve suas filmagens realizadas no Parque Nacional da Serra da Canastra (Minas Gerais), no local próximo à nascente do rio São Francisco, onde se verifica a maior concentração desta espécie no país.

Interessei-me pelo artigo e além deste, procurei pesquisar mais a respeito da referida espécie.

O curioso é saber que o pato-mergulhão, ave rara, ameaçada de extinção, antigamente, existia em boa parte da América do Sul, em muitos rios do Brasil, Paraguai e Argentina e, hoje, só é encontrado no Brasil.

Alguns sites ainda se referem à ocorrência na Argentina e no Paraguai, porém dados mais recentes já descartam estes dois países, uma vez que faz muito tempo que não há registro da ave nos referidos países. Este fato pode ser um indício de que ela não mais exista por lá.

Em território nacional, no entanto, a espécie só é encontrada em algumas áreas. Isso já era previsível. Previsível devido às condições de sua sobrevivência mediante a apropriação e ocupação do solo pelo homem que, ao longo do tempo, vem causando a poluição dos rios, habitat natural da referida ave.

De acordo com o levantamento realizado, o pato-mergulhão (nome popular), cujo nome científico é Mergus octosetaceus (Vieillot, 1817), é uma ave da Ordem: Anseriformes e da Família: Anatidae. É também conhecido pelos nomes populares: merganso do sul, mergulhador, patão e pato-mergulhador.

Sua espécie está ameaçada de extinção (nível crítico) tanto na lista de espécies ameaçadas do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (IBAMA) quanto na lista da União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais (IUCN).

É um anatídeo com 49 a 56cm de comprimento.

Tanto a cabeça quanto o seu pescoço é de cor verde-petróleo/metalizado, sendo o dorso verde-escuro, o peito cinzento pálido malhado e um abdômen esbranquiçado. As patas cor rosada-lilás.

De feições esguias, o pato-mergulhão tem bico escuro, longo, fino, serrilhado e acentuadamente curvo na extremidade (adaptado para capturar peixes com mergulhos de extrema destreza). Apresenta uma longa crista na cabeça, que na fêmea é - normalmente - de dimensão menor.

O macho possui um penacho nucal maior do que a fêmea. Além disso, a cabeça do macho é um pouco mais robusta.

O seu habitat natural é o rio, mas rio de águas límpidas, com corredeiras (rios de planalto ou rios de montanhas) e com matas ciliares ou matas de galerias.

Sua alimentação básica é constituída de peixes, especialmente os lambarís (Astianax sp.), o que não exclui a possibilidade de capturar outras espécies, de tamanho bem mais avantajado. Pequenos invertebrados também podem, eventualmente, constituir parte de sua dieta.

É uma espécie monogâmica e acredita-se que, após formado um casal, este permanece unido por toda a vida. Enquanto seus filhotes ainda não dominam a arte de voar (e nem possuem penas adequadas para tal), o casal não costuma voar para afugentar-se de ameaças, como pessoas que se aproximam, pois permanecem juntos com seus filhotes, protegendo-os. Família unida é um lema que deve ser levado a sério! Nesta situação, os patos podem ser observados em certas ocasiões, por mais tempo, pois, em regra geral, se afastam do perigo iminente, nadando ao longo do rio, seguidos de seus filhotes.

Seus ninhos podem ser estabelecidos em barrancos ou paredões rochosos, assim como em cavidades de árvores. Até o momento, as maiores ninhadas contam com oito filhotes.

O pato-mergulhão vive por muitos anos.

Apresenta baixa densidade populacional e riscos de extinção total em razão das alterações antrópicas em seu habitat natural, que vão além da poluição das águas (urbanização, garimpo, atividades agrícolas etc.), como a própria destruição das matas ciliares e de galerias, da construção de hidrelétricas, que transformam trechos de rios de planaltos (com corredeiras) em lagos artificiais.

Dentre os principais predadores, destacam-se a lontra e certos gaviões. Até momento, os patos-mergulhões não foram submetidos oficialmente a condições de cativeiro e consequentemente não houve estudos baseados nestas.

Há registros, incluindo históricos, da ocorrência do pato-mergulhão nos estados de Goiás, Rio de Janeiro, São Paulo, Bahia, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Paraná e Santa Catarina, bem como em regiões limítrofes do Paraguai e Argentina.

Todavia, na maior parte destas localidades, a espécie não é mais encontrada. Atualmente, as duas principais áreas de ocorrência do pato-mergulhão em território nacional são a Serra da Canastra (Minas Gerais) e a Chapada dos Veadeiros (Goiás). Em ambas, o IBAMA mantém extensos Parques Nacionais destinados à proteção da fauna e da flora nativas, cujos planos de manejo preveem ações de conservação da referida ave.

Outras localidades, onde há registros de sua presença são os estados do Paraná, Bahia e do Tocantins. Sendo este último, no Parque Estadual do Jalapão, tal como mencionei acerca da reportagem do Globo Rural de hoje.

Apesar de estar classificada como ave em situação crítica de extinção, as tentativas implementadas por meio de Programas e Projetos Institucionais - ao meu ver - parecem contribuir, de fato, para reverter tal quadro e, quem sabe, a espécie não permanecer em tão acentuado risco de extinção.

Além da Serra da Canastra, localizada em Minas Gerais, que apresenta a maior concentração da espécie pato-mergulhão, a reprodução da espécie também tem sido observada no Jalapão, no Tocantins.

O Projeto de Monitoramento e Conservação do Pato-Mergulhão desenvolvido, desde 2007, pelo Instituto Natureza do Tocantins (Naturatins) vem registrando anualmente a reprodução da espécie, que já conta com 25 filhotes.

Estes registros são significativos não só para a sobrevivência da espécie na localidade, como também podem fornecer elementos capazes de subsidiar um maior aprofundamento acerca da vida e do comportamento deste no meio ambiente.

Embora, as informações correspondam a uma vitória em meio aos riscos de extinção, sabe-se que as formas de uso e de apropriação do solo pelo homem, longe está de permear a conciliação do desenvolvimento com a conservação do meio ambiente, em um nível de sustentabilidade ambiental para todas as espécies, sejam estas animais (incluindo o homem) e vegetais.

Os riscos são eminentes, infelizmente. Estes, por sua vez, se apresentam como termômetro à qualidade ambiental... enquanto existirem em um determinado rio, a poluição não se faz presente. Todavia, quando este desaparecer de um determinado local, onde ocorria, vamos ter a certeza, que a intervenção antrópica direta e/ou indiretamente se faz presente.

A pureza da água do rio constitui um fator condicionante para a sua presença no meio ambiente.


Fontes de consultas
 
 
 

 
 


 
OBSERVAÇÃO: Texto revisado e com contribuições do Prof. Sávio Bruno (UFF)/Outubro de 2009



Pato Mergulhão - Imagem capturada da Internet
(Imagem de Sávio Bruno/Ciência Hoje On-line)

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Gripe H1N1: Prorrogação do Recesso Escolar no Rio de Janeiro



As últimas notícias acerca da Gripe H1N1, que circularam nas mídias, afirmam que o reinício das aulas neste segundo semestre vai ser adiado, não só no Rio Grande do Sul, como também no Distrito Federal e nos estados de São Paulo e Rio de Janeiro.

Em nosso estado (RJ), a rede estadual foi a primeira a prorrogar o recesso escolar, adiando o reinício das aula para o próximo dia 10 de agosto.

A medida foi tomada tanto para o segundo segmento do Ensino Fundamental quanto para o Ensino Médio e escolas técnicas.

Estava prevista para hoje, à tarde, uma reunião com as Secretarias Municipais de Educação e de Saúde, mas a emissora do Sistema Brasileiro de Televisão (SBT) já anunciou que a decisão do prefeito Eduardo Paes é acompanhar as medidas tomadas pelo Governo do Estado.

Em consequência disso, tanto os alunos da rede estadual quanto da rede municipal deverão retornar às aulas somente no dia 10 de agosto.

Uma das medidas preventivas sugeridas pelos médicos é evitar aglomerações e ambientes fechados e, realmente, a sala de aula é um espaço bastante propenso e facilitador à contaminação geral.

Em geral, as salas de aulas das escolas públicas - principalmente - são lotadas, em torno de 45 a 48 alunos. E, por isso, a vulnerabilidade é muito grande.

Além disso há de se considerar que os alunos são agentes multiplicadores, tendo em vista seu trajeto diário casa-escola-casa, entre outros percursos.

Como eu sempre recomendei aos alunos, devemos acompanhar diariamente a evolução da doença no país e tomar as medidas preventivas. Não custa nada e, melhor, pode salvar as nossas vidas e de terceiros.


terça-feira, 28 de julho de 2009

Gripe H1N1 no Brasil: 56 Vítimas Fatais

Imagem capturada da Internet


Como todos vêm acompanhando, nas mídias, as notícias acerca da Gripe H1N1 no Brasil, podemos observar que o número de vítimas fatais se concentrava nas regiões Sul e Sudeste. Porém, tudo indica que a doença vem adquirindo força maior e de forma descontrolada, pois além do aumento dos casos confirmados, o vírus já fez uma vítima no Nordeste.

Hoje foi notificada a primeira morte na referida região. A vítima foi um homem, de 31 anos, na cidade de João Pessoa, capital do estado da Paraíba.

De acordo com as informações prestadas pelo Hospital Lauro Wanderley, na capital, a vítima sofreu duas paradas cardíacas graves. E de acordo com o mesmo, a vítima esteve, recentemente, em um Congresso de estudantes em Brasília.

No momento, o número de óbitos em consequência da Gripe H1N1, no país, subiu para 56 (cinquenta e seis), tendo o estado de São Paulo o maior número de vítimas fatais (27), seguido pelo Rio Grande do Sul (19), Rio de Janeiro (5), Paraná (4) e Paraíba (1).

No estado de São Paulo há 7 casos de óbitos considerados "desconhecidos", uma vez que a Secretaria da Saúde do estado não divulgou o sexo, a idade, o local do óbito e nem a condição clínica pré-existente, conforme informa o site Globo.com

Considerando este grupo (desconhecidos) e os demais, com um total de 56 vítimas fatais, eu fiz um levantamento de acordo com as respectivas faixas de idade e o resultado - a nível nacional - foi o seguinte:

. Jovens (0 a 19 anos): 8 vítimas (sendo 7 crianças) - 14% das vítimas totais;

. Adultos (20 a 59 anos): considerando ambos os sexos, homens e mulheres (68%)

--- Mulheres: 16 vítimas (seis gestantes) - 29% das vítimas totais:

--- Homens: 22 vítimas - 39% das vítimas totais;

. Idosos (acima de 60 anos): 3 vítimas (duas do sexo feminino) - 5% das vítimas totais;

. Desconhecidos (idade ignorada): 7 (todos de São Paulo) - 12% das vítimas fatais.

OBS.: A diferença na soma das porcentagens se deve ao arredondamento.

Alguns dados são interessantes e merecem ser destacados nos referidos estados:

1. Rio Grande do Sul:

- Foi o estado com o maior registro de óbitos entre o sexo masculino (faixa de idade adulta), com 11 vítimas fatais. Havendo, também, a ocorrência de um óbito na faixa de idoso (62 anos);

- entre as mulheres adultas, as vítimas foram só gestantes, havendo além destas a ocorrência de uma jovem (18 anos) e uma idosa (63 anos);

- duas crianças morreram, uma menina (5 anos) e um menino (9 anos).

2. São Paulo:

- é o estado que apresenta o maior número de vítimas fatais no grupo de mulheres, adultas. Ao todo são 9, entre estas duas gestantes. Havendo, ainda, um registro no grupo de idosa (68 anos);

- o número de homens, adultos, totaliza 7 óbitos;

- é o estado que apresenta o maior número entre as crianças (3);

- é o estado, onde foram considerados 7 novos casos de obituários, mas de origem decsonhecida (até o momento).

3. Rio de Janeiro:

- no estado não há ocorrência de óbito, confirmado pela Gripe H1N1, no grupo de homens (adultos e/ou idosos);

- no grupo de mulheres, adultas, são três óbitos, sendo uma gestante;

- duas crianças, do sexo masculino, morreram em consequência da Nova Gripe (6 e 10 anos).

4. Paraná:

- no estado, todas vítimas pertencem ao grupo de adultos, sendo 1 do sexo feminino e 3 do sexo masculino.

5. Paraíba:

- foi o primeiro registro de vítima fatal, confirmado pela doença, em toda região Nordeste e foi um homem (31 anos).

Vale a pena, também, relembrar os principais sintomas da Gripe H1N1:

Como a gripe H1N1 é uma doença respiratória causada pelo vírus influenza A (chamado de H1N1), este é transmitido de pessoa para pessoa.

Os sintomas são bastante similares aos da gripe comum, ou seja, tosse, dor de cabeça intensa, febre superior a 38ºC, dores musculares e nas articulações, irritação dos olhos e coriza.

Para diagnosticar a infecção de forma mais precisa, os médicos devem coletar e examinar - em laboratório - uma amostra respiratória nos quatro ou cinco primeiros dias da doença, justamente, quando a pessoa infectada espalha vírus.

De acordo com os resultados realizados em laboratórios, os antigripais Tamiflu e Relenza, que foram utilizados contra a gripe aviária, têm se mostrados eficazes contra o vírus da gripe suína (H1N1).

Dica de como lavar as mãos corretamente (FEF Notícias)

Vejam mais detalhes das vítimas da Gripe H1N1 no Brasil através do mapa disponibilizado no site Globo.com.

Fontes de Consulta

. FEF Notícias

. Folha OnLine

. Globo.com

Crônica: Conversa de Pai e Filha

Antes de entrarmos em recesso escolar, cada professor da rede municipal teve direito a receber dois livros do Programa Rio. Uma Cidade de Leitores da Secretaria Municipal de Educação.

Dos autores nacionais, eu escolhi o livro "As Cem Melhores Crônicas Brasileiras", organizado por SANTOS, Joaquim Ferreira dos, Ed. Objetiva - Rio de Janeiro - 2007. Dos estrangeiros, optei por "O menino do Pijama Listrado", BOYNE, John, CIA das Letras - São Paulo - 2007.

Como adoro ler crônicas, eu comecei, primeiramente, pelo livro nacional, que reúne 62 autores e cem crônicas em ordem cronológica. Como o próprio organizador cita na parte introdutória, "a crônica brasileira tem uma cara própria, leve, bem humorada, amorosa, com o pé na rua". Eu amei!

Já soube pela minha outra irmã e professora também, que a história "O menino do Pijama Listrado" é triste e, ao mesmo tempo, muito bonita.

Bom, folheando antes de iniciar a leitura propriamente dita da obra, deparei-me com um título que muito me chamou a atenção... Conversa de Pai e Filha.

A crônica é de autoria de Antônio Maria e, nossa, como eu pude enxergar através desta a relação do meu marido com a nossa filha, Ana Carolina.

Eu, enquanto mãe, tenho estas preocupações, mas antes mesmo de criticar possíveis atitudes, tento conversar e orientar a respeito, inclusive, demonstrando em casos reais pelos quais presenciamos ou ouvimos falar.

Quero ser uma amiga para ela, antes de tudo! Sei que nossos mundos, na maioria das vezes, passam e repassam conceitos contraditórios, antagônicos de acordo com a realidade.

Eu venho acompanhando as suas mudanças de criança para adolescente e acho legal ver o seu desenvolvimento. Tento o máximo acompanhá-la e entendê-la. Sei que é uma relação difícil de ser livre, sem mentiras e segredos, mas posso assegurar qua as minhas intenções são únicas e sinceras.

Já o meu esposo teria os mesmos pensamentos expressos na referida crônica e, acreditem, acho que a sua posição não seria igual a que o autor define no final da obra.

Por estas questões e por este espaço estar voltado para um público infanto-juvenil e para profissionais da Educação, gostaria de compartilhar com todos a crônica, a qual me refiro.

Imagem capturada da Internet

CONVERSA DE PAI E FILHA

Antônio Maria

- Pai, eu tenho um namorado.

Pai, que ouve isso da filha mocinha, pela primeira vez, sente uma dor muito grande. Todo o sangue lhe sobe à cabeça, e o chão do mundo roda a seus pés. Ele pensava, até então, que só a filha dos outros tinha namorado. A sua tem, também. Um namorado presunçosamente homem, sem coração e sem ternura. Um rapazola banal, que dominará sua filha. Que a beijará no cinema e lhe sentirá o corpo, no enleio da dança. Que lhe fará ciúmes de lágrimas e revolta; pior ainda, de submissão, enganando-a com outras mocinhas. Que, quando sentir os seus ciúmes, com toda a certeza, lhe dirá o nome feio e, possivelmente, lhe torcerá o braço. E ela chorará, porque o braço lhe doerá. Mas ela o perdoará no mesmo momento ou, quem sabe, não chegará, sequer, a odiá-lo. E lhe dirá, com o braço doendo ainda: “Gosto de você, mais que tudo, só de você.” Mais que de tudo e mais que dele, o pai, que esse porcaria de rapaz fará a filha mocinha beber whisky, e ela, que é mocinha, ficará tonta, com o estômago às voltas. Mas terá que sorrir. E tudo o que conseguir dela será, somente, para contar aos amigos, com quem permuta as gabolices sobre suas namoradas. Ah! O pai se toma de imensa vontade de abraçar-se à filha mocinha e perdir-lhe que não seja de ninguém. De abraçá-la e rogar a Deus que os mate, aos dois, assim, abraçados, ali mesmo, antes que torça o bracinho da filha. Como é absurda e egoisticamente irracional o amor de pai! Mais que ódio de fera. Ele sabe disso e se sente um coitado. Embora sem evitar que todos esses medos, iras e zelos passem por sua cabeça, tem que saber que sua filha é igual à filha dos outros; e, como a filha dos outros, será beijada na boca. Ele, o pai, beijou a filha dos outros. Disse-lhe, com ciúme, o nome feio. E torceu-lhe o braço, até doer. Nunca pensou que sua namorada fosse filha de ninguém. Ele, o pai, humanamente lamentável, lamentavelmente humano. Ele, o pai, tem, agora, que olhar com o maior de todos os carinhos e sorrir-lhe um sorriso completo de bem-querer, para que ela, em nenhum momento, sinta que está sendo perdoada. Protegida, sim. Amada, muito mais. E, quando ela repetir que tem um namorado, dizer-lhe apenas:

- Queira bem a ele, minha filha.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Mensagem: As Mãos da Minha Avó


Fiquei devendo uma mensagem sobre as avós, por isso, aqui está...


Imagem capturada da Internet




AS MÃOS DA MINHA AVÓ


A minha avó que tinha mais de 90 anos, estava sentada num banco na varanda e tinha um aspeto fraco.

Ela não se mexia, estava apenas sentada a fixar seu olhar nas mãos. Quando me sentei ao pé dela, nem sequer se mexeu, não teve nenhuma reação.

Eu não a queria perturbar, mas ao fim de um certo tempo perguntei-lhe se estava bem. Ela levantou a cabeça e sorriu para mim.

- Sim, eu estou bem, não te preocupes, respondeu ela com uma voz forte e clara.

- Eu não a queria incomodar, mas você estava aí com o olhar fixado nas suas mãos e eu apenas pretendi saber se estava tudo bem consigo.

- Já alguma vez viste bem as tuas mãos ? perguntou-me ela.

- Quer dizer, vê-las como deve de ser?

Então eu olhei para as minhas mãos e fixei-as. Sem compreender bem o que ela queria dizer, respondi que não, nunca tinha olhado bem para as minhas mãos.

A minha avó sorriu para mim e contou-me o seguinte:

- Pára um bocadinho e pensa bem como as tuas mãos te têm servido desde a tua nascença.

E continuou...

- As minhas mãos cheias de rugas, secas e fracas, foram as ferramentas que eu utilizei para abraçar a vida. Elas permitiram agarrar-me a qualquer coisa para evitar que eu caísse, antes que eu aprendesse a andar.

Elas levaram a comida à minha boca e vestiram-me.

Quando era criança a minha mãe mostrou-me como uni-las para rezar.

Elas ataram as minhas botas e meus sapatos. Elas tocaram no meu marido e enxugaram as minhas lágrimas quando ele foi para a guerra.

Elas já estiveram sujas, cortadas, enrugadas e inchadas. Elas não tiveram jeito nenhum quando tentei segurar o meu primeiro filho.

Decoradas com a aliança de casamento, elas mostraram ao mundo que eu amava alguém único e especial.

Elas escreveram cartas ao teu avô, e tremeram quando ele foi enterrado. Elas seguraram os meus filhos, depois os meus netos.

Consolaram os vizinhos e também tremeram de raiva quando havia alguma coisa que eu não compreendia.

Elas cobriram o meu rosto, pentearam os meus cabelos e lavaram o meu corpo. Elas já estiveram pegajosas, úmidas, secas e com rugas.

Hoje, como nada funciona como dantes para mim, elas continuam a amparar-me e, eu ainda as uno para orar.

Estas mãos contêm a história da minha vida, mas, o mais importante, é que serão estas mesmas mãos que um dia, Deus segurará para me levar com Ele para o seu Paraíso.

Com elas, Ele me colocará a Seu lado. E lá, eu poderei utilizá-las para tocar na face de Cristo.


Pensativo, eu olhava para as minhas mãos. Nunca mais as verei da mesma maneira.

Mais tarde, Deus estendeu as Suas mãos e levou a minha avó.

Quando eu me machuco nas mãos, quando elas são sensíveis, quando acarinho os meus filhos ou a minha esposa, penso sempre na minha avó.

Apesar da sua idade avançada, ainda teve inteligência suficiente para me fazer compreender o valor das minhas mãos!..

Obrigado DEUS, pelas minhas Mãos!...


Tradução e Adaptação de Faustino Rosário