quarta-feira, 22 de abril de 2009

Cidades Históricas de Minas Gerais: Arraial do Tijuco/Diamantina


Mapa de Localização - Imagem capturada da Internet

Diamantina, cidade histórica de Minas Gerais, localizada na região central do estado, tem relação com o Arraial do Tijuco, pois este último era a sua denominação antes de ser elevado à categoria de Vila e, posteriormente, cidade.

A história da cidade de Diamantina se encontra intrinsecamente relacionada às atividades dos bandeirantes e dos sertanistas, no século XVIII, que procuravam ouro e pedras preciosas em Minas Gerais.

A ocupação inicial da área, que passou a ser denominada de Arraial do Tijuco, se deu em 1713, após o bandeirante Jerônimo Gouvêa, seguindo o curso do Rio Jequitinhonha, ter descoberto uma grande quantidade de ouro nas confluências do Rio Piruruca e Rio Grande.

Sempre seguindo as margens dos rios, que eram garimpados, a população local vivia da exploração do ouro, não se diferenciando das demais existentes nos diversos povoados que existiam na Capitania das Minas Gerais, no início do século XVIII.

No entanto, a descoberta dos primeiros diamantes, em 1720, transformou efetivamente a vida do Arraial, com o desenvolvimento – propriamente dito - do povoado, na região.

Diamantina representou a maior lavra de diamantes do mundo ocidental no século XVIII e, por nove anos, a Coroa Portuguesa não tomou conhecimento da descoberta de diamantes na região, o quê só foi feito pelo D. Lourenço de Almeida, governador da Capitania, em 1729.

A resposta da Coroa Portuguesa foi impor o controle sobre toda a região dos diamantes. Em 1734, foi criada a Intendência dos Diamantes, cujo regime altamente fiscalizador, rígido, arbitrário e repressivo, isolou a área do restante da Capitania.

O monopólio da Coroa Portuguesa sobre as jazidas do Tijuco durou até 1845.

O Arraial do Tijuco foi elevado à categoria de Vila, em 1831, passando a ser chamada de Diamantina. Sete anos mais tarde, isto é, em 1838, a Vila foi elevada à cidade.

Em consequência desta sua trajetória e riqueza, a cidade de Diamantina se destacou socialmente e culturalmente, tendo em vista o desenvolvimento de uma sociedade aristocrática, caracterizada pelo conjunto arquitetônico majestoso, considerado o mais rico do atual estado, assim como pelo requinte de sua elite, diferenciada em toda a sociedade colonial de Minas Gerais, voltada para as artes, em geral (música, teatro etc.).

Enquanto as cidades do ouro já demonstravam sinais de exaustão de suas jazidas, a riqueza em diamantes, fez com a cidade se destacasse socialmente e culturalmente.

Além da sua sociedade, aristocrática, ser caracterizada e diferenciada das demais por seu requinte, principalmente, no campo das artes, em geral (música, teatro etc.), as construções, o conjunto arquitetônico de Diamantina era considerado o mais rico de Minas Gerais. Sua opulência impressionou diversos viajantes, como por exemplo, Saint Hilaire, Spix, Von Martius, entre outros.
 
Com a descoberta, em 1860, de grandes jazidas na África do Sul, o preço do diamante caiu assustadoramente e, coincidentemente, ocorreu a diminuição das reservas de diamantes, dando início a um período de decadência.
 
Todos estes elementos, que compõem a trajetória histórica da atual cidade de Diamantina, fizeram com que – em 1938 – o conjunto arquitetônico do Centro Histórico da cidade fosse tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) e, na década de 90 recebesse o título de Patrimônio Cultural da Humanidade da Unesco.
Além de toda sua riqueza natural e cultural, Diamantina também é conhecida por ser a terra do ex-presidente Juscelino Kubitschek (1956-1961) e da Chica da Silva.

Eu a conheci em 1986, ou seja, há 23 anos, por ocasião do II Simpósio Nacional de Geografia Física Aplicada, do qual participei como ouvinte. Tive o prazer de conhecer as dependências do Centro de Geologia Eschwege, localizado na Rua da Glória, que ficava no prédio mais conhecido da cidade, o único que tem um passadiço (tipo de servidão, comunicação de um prédio ao outro). Infelizmente, o Centro de Geologia foi desativado e renomeado como Casa da Glória.

Devo confessar que adoro as cidades históricas de Minas Gerais e, em especial, Diamantina, Ouro Preto e Tiradentes.

Também tive a oportunidade de conhecer, por dentro, a casa da Chica da Silva que, na época estava passando por reformas (museu). E a informação verbal que obtive, no local, foi que a Igreja da Ordem Terceira de Nossa Srª do Carmo, que fica próxima da referida casa, teve sua torre construída nos fundos desta em razão de uma exigência da própria Chica da Silva ao contratador João Fernandes de Oliveira, homem rico da época, com o qual ela viveu 15 anos e teve treze filhos.

De acordo com a pessoa que me prestou a informação, a Chica da Silva havia exigido em virtude de se sentir incomodada com o barulho do sino e, este assegurou que a mesma era verdadeira, pois em todas as igrejas da cidade, assim como em outras, a torre e/ou as torres se encontram localizadas na parte da frente das igrejas. E, neste caso, é só uma igreja, cuja localização é bem próxima da antiga casa da referida escrava. Da janela do segundo andar de sua casa, a gente vê a igreja.

Pesquisando na Internet a respeito da veracidade desta informação, encontrei menções a respeito da mesma, assim como uma outra justificativa, ligada à questão do negro não poder passar além da torre da igreja ao entrarem na igreja. A torre ao fundo seria uma tentativa de burlar a lei, possibilitando que a Chica da Silva entrasse para o seu interior, sem problema algum, por qualquer acesso da mesma.
 
Se é ou não é verdadeira a informação, não importa! O que importa é a riqueza histórica da cidade, o estilo colonial de suas construções, das igrejas, do calçamento de suas ruas, do mercado dos tropeiros, da musicalidade da cidade, entre outros.

 
Vista da Matriz

Centro de Diamantina

Museu dos Diamantes

Casa de Juscelino Kubitschek

 
Antigo Centro de Geologia Eschwege, que ficava neste prédio com o passadiço,
o qual renomeado como Casa da Glória



Casa da Chica da Silva

Igreja da Terceira Ordem de Nossa Srª do Carmo


Fontes de Pesquisa:
 
 
. Portal Jóia br

. Prefeitura de Diamantina


OBS.:
- As Imagens foram capturadas do site Diamantina Patrimônio Cultural da Humanidade;
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Um comentário:

Ailce disse...

Adorei seu texto sobre meu estado.Amo Diamantina, Ouro Preto entre outras cidades do ciclo do ouro.Fquei muito feliz com sua passagem em meu blog,volte sempre, porque sempre venho aqui buscar textos seus para dar aula para o EJA.Obrigada pela sua visita ela me fez muito feliz.Abraços.
Ailce costa