domingo, 10 de outubro de 2010

Hungria: Alerta sobre uma nova ruptura no reservatório de lama vermelha




Imagem capturada na Internet (Fonte: G1 Globo.com)
 
Um grande desastre ambiental ocorrido na Europa foi destaque, nesta semana, nos principais meios de comunicação e, ainda, permanece, tendo em vista os riscos de uma segunda ocorrência.
 
O incidente - em questão - aconteceu na 2ª feira passada (04/10), em Ajka, a oeste da Hungria, em consequência da ruptura do dique (barragem para disposição de resíduos em lagoa artificial) de uma fábrica de produção de alumínio.



Imagem capturada na Internet (Fonte: BOL Notícias)
Esta ruptura no dique provocou o vazamento de resíduos tóxicos, denominados de “lama vermelha”, substância química muito tóxica, corrosiva e alcalina.
 
A lama vermelha inundou 40 Km² do sudoeste do país, afetando diretamente as vilas de Kolontar, Devecser e Somlovasarhely. E, no dia seguinte (05/10), foi declarou estado de emergência aos condados de Veszprem, Gyor-Moson-Sopron e Vas.
 
Foi a primeira e a pior tragédia ambiental registrada em território húngaro, segundo as autoridades do país. Houve perdas humanas e materiais, além de mortandade de peixes e da temerariedade quanto aos riscos à saúde das populações afetadas.
 
O nível de alcalinidade verificado na lama vermelha era muito alto (pH 13), sendo este capaz de arrancar a última camada de pele de um indivíduo. Os níveis de metais pesados presentes em sua composição, também, eram preocupantes, pois poderiam ser cancerígenos.
 
Seus efeitos nocivos condenaram à morte áreas habitacionais, terrenos férteis e cursos fluviais (alguns canais e afluentes da bacia do rio Danúbio).
 
E, neste último aspecto, residia a outra e, talvez, a maior preocupação dos ambientalistas, que era a possibilidade da lama vermelha atingir o rio Danúbio, o segundo maior do Europa.
 
Com isso, as consequências ambientais seriam, indubitavelmente, estendidas para outros países, uma vez que o referido rio – a partir do ponto do vazamento dos resíduos na Hungria – percorre ainda as terras da Croácia, da Sérvia (Belgrado), Bulgária, Romênia, Moldávia e Ucrânia até chegar a sua foz, o Mar Negro.


Imagem capturada na Internet (Fonte: Wikipedia)


No dia 07 passado, a lama vermelha chegou no rio Mosoni Duna, um afluente do rio Danúbio, atingindo este último, no dia seguinte, ou seja, na 6ª feira (08/10).
 
Porém, as autoridades e especialistas alegaram que os efeitos devastadores da lama vermelha foram amenizados e não mais representavam perigo ao rio Danúbio, em especial, ao seu baixo curso, pois o pH da lama encontrada no rio fora reduzido para 8,2 (o pH neutro é 7).
 
Segundo as matérias jornalísticas, esta redução do nível do pH se deu através do uso de gesso e vinagre para neutralizar a alcalinidade da lama.
 
No entanto, o Greenpeace (Organização não-Governamental que atua, internacionalmente, em questões e problemas ambientais) contestou os dados fornecidos pelo governo, alegando que o resíduo tóxico apresentava uma quantidade de arsênico 25 vezes maior que a permitida, além de valores significativos de mercúrio e cromo.
 
A lama vermelha consiste no resíduo da indústria de beneficiamento do alumino, sendo gerada a partir do refino da bauxita (matéria-prima) para produção de alumina (Al2O3) e, depois de outras etapas, chegar ao alumínio metálico. O procedimento mais utilizado para o refino da bauxita é o Bayer.
Imagem capturada na Internet (Fonte: Scielo Brasil)

A lama vermelha consiste no resíduo gerado durante o refino da bauxita, na etapa de clarificação do processo Bayer. De uma maneira geral, este material residual é disposto em lagoas artificiais, projetadas especialmente para esta finalidade, tal como é o caso da fábrica de produção de alumínio em Ajka (Hungria) e em diversas indústrias espalhadas no mundo e no Brasil.
 
O Brasil, por exemplo, possui a terceira maior reserva mundial de bauxita, estimada em 2,5 bilhões de toneladas, localizada na região Amazônica, perdendo apenas para Austrália e Guiné. Ele é o 6º maior produtor de alumínio primário do mundo, sendo superado pela China, Rússia, Canadá, EUA e Austrália.
 
Além da reserva na Amazônia, a bauxita pode ser encontrada no sudeste do Brasil, na região de Poços de Caldas (MG) e Cataguases (MG).
 
Na produção de alumina, as grandes empresas do país são: o Consórcio de Alumínio do Maranhão (Alumar), localizada em São Luís (MA); a Alumina do norte do Brasil S/A (Alunorte), localizada em Barcarena (PA); a Companhia Brasileira do Alumínio (CBA), na região de Sorocaba (SP); a Alcoa, com unidades localizadas em Saramenha (MG) e Poços de Caldas (MG).
 
Igualmente, ao caso da barragem da fábrica húngara, todas estas indústrias brasileiras mantêm reservatórios para o armazenamento dos resíduos da bauxita, mas de acordo com a Associação Brasileira de Alumínio (Abal), em termos de resíduos tóxicos, estes reservatórios se encontram sob os mais elevados padrões internacionais de tecnologia e de segurança.
Esperamos que sim!
 
Bom, voltemos ao tema central do post... As consequências do vazamento dos resíduos tóxicos (lama vermelha) do dia 04 de outubro, que se espalhou por 40 Km² a oeste da Hungria terá, infelizmente, repercussões por muitos anos, em termos ambientais, econômicos e de saúde pública.
 
Até o momento foram registrados 7 vítimas fatais (entre estas, duas crianças), um desaparecido e 150 pessoas feridas, sendo muitas com queimaduras provocadas pelo contato com a substância, durante muito tempo.
 
Para agravar mais ainda a situação vigente, um alerta foi dado ontem (09/10), diante da possibilidade eminente de haver uma segunda ruptura no reservatório da refinaria de alumínio de Ajka.
 
O referido reservatório apresenta várias fissuras, podendo desabar por completo. Caso isso venha a ocorrer, o vilarejo de Kolontar estará em risco potencial de ser inundado por cerca de 500 mil metros cúbicos de lama tóxica.
 
Em razão disso, o referido vilarejo começou a ser evacuado desde ontem, assim como em Devecser, onde a retirada da população também se encontra em ritmo acelerado.

Vejamos algumas imagens capturadas na Internet acerca do incidente...

G1 Globo.com
  G1 Globo.com

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Revista Veja

 
O Estadão.com.br

 
Fontes de Consulta:
 
 
 
 
 
. Jornal O Globo (08/10/2010 - página 38);
 
. Lama vermelha da indústria de beneficiamento de alumina: produção, características, disposição e aplicações alternativas - Scielo Brasil;
 
 
 
 
. Wikipedia

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