domingo, 31 de outubro de 2010

México: O Poder Paralelo dos Cartéis do Narcotráfico

"Pomba da Paz" no pátio da Universidade Autônoma de Nuevo Leon, durante um protesto contra a morte da universitária Lucila Quintanilla em um shopping, em 15 de outubro de 2010. (Fonte: Último Segundo)




Na semana passada, quando indaguei a um aluno do 7º ano, do turno da tarde, qual país que ele gostaria de conhecer, este me respondeu incisivamente que queria morar no México, por motivos profissionais.

Achei interessante a convicção de como este se expressou. Inicialmente, alguns alunos da turma acharam graça, mas eu os adverti, inclusive, pela pouca idade deste e por sua determinação em relação a projeto de vida.

Aproveitei para explicar a situação atual do referido país, o qual constantemente é notícia nos principais meios de comunicação face à violência que o assola sob a ação do narcotráfico.

É claro que, em nenhum momento, a minha pretensão foi destituir o seu sonho de morar no México, mas valei-me da oportunidade criada para falar dos fatos, inclusive, relembrar o caso da execução de emigrantes latino-americanos (entre estes, dois brasileiros) no mês de agosto deste ano (vide postagem do dia), os quais tentavam entrar - ilegalmente – nos EUA.

Eu falei que também tinha vontade de conhecer o México, mas que realmente os níveis de vilência assustam.

Em razão disso, achei oportuno voltar a tratar do assunto até porque foi discutido, em sala de aula, os critérios utilizados na análise do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) e outros que seriam também pertinentes para avaliar a qualidade de vida da população, como a violência, por exemplo, assim como, um aluno do 8º ano levantou a questão da responsabilidade direta e/ou indireta do país vizinho e fronteiriço do México, os Estados Unidos.

Mas, existe um outro lado e, por este, não há como negar a riqueza histórica do país, o seu povo e suas belezas naturais.

O problema que o país vem enfrentando, muitos outros, inclusive o Brasil também está passando, só que com diferentes graus de intensidade, mas com toda a certeza, os aspectos inter-relacionados às ações do tráfico de drogas, à corrupção, ao insucesso ou sucesso da política de combate às drogas, entre outros, são bastante similares.

Carro abandonado na fronteira entre o México e os EUA (Fonte: Último Segundo)



México

. Nome Oficial: Estados Unidos Mexicanos;

. Capital: Cidade do México;

. Localização: Continente americano (América do Norte);

. Área: 1 958 201 Km²;

. População (dados de 2009): 109.610.036 habitantes;

. Densidade Demográfica (2009): 56 hab/ Km²;

. Moeda: Peso Mexicano;

. Língua oficial: Espanhol;

. IDH (2007): 0,854 (IDH elevado);

. Taxa de natalidade (2008): 20,04 nascimentos/1.000 habitantes;

. Taxa de mortalidade (2008): 4,78 mortes/1.000 habitantes;

. Expectativa de vida (2008): 76 anos (homens: 73 anos/ mulheres: 79 anos);

. PIB (2007): 893.365 milhões de US$;

. PIB per capita (2007): 8.386 US$.



Como a maioria dos países submetidos à colonização europeia, a herança cultural do processo histórico de ocupação e colonização espanhola é muito forte no México.

O México é o país mais populoso entre os de língua espanhola no mundo. Em termos de população absoluta, este ocupa a segunda posição na América Latina, só perdendo para o Brasil, que é o mais populoso.

Cerca de 89% da população mexicana professa a religião Católica Apostólica Romana, tendo como padroeira Nossa Senhora de Guadalupe, que é também a patrona da América Latina. Dos demais, 6% são protestantes (e suas “ramificações”) e 5% correspondem a outras religiões e também aqueles sem religião.

O México junto com os EUA e o Canadá é membro do Acordo Norte-Americano de Livre Comércio (Nafta), bloco econômico criado em 1992.

Embora, de acordo com o último levantamento para efeito do IDH, o México tenha obtido o índice 0,854, estando classificado na categoria dos países com IDH elevado (o nosso país obteve 0,813 e também se enquadra neste grupo), a onda de violência que assola o país contradiz esta situação de nível de desenvolvimento (o mesmo ratifico em relação ao Brasil).

Não pretendo entrar, pelo menos neste momento, nesta discussão relacionada aos critérios utilizados na análise do IDH (sobretudo, o da economia) e em outros que deveriam ser incluídos para efeito deste (como por exemplo, a violência e o direito à moradia). Mas, que há muito a refletir sobre as contradições existentes entre os índices obtidos (IDH) e a realidade socioeconômica dos países, sobretudo, os subdesenvolvidos, há sim!


Tem de parar a criminalidade atacando suas finanças e esquemas de lavagem de dinheiro.
Há de acabar com a proteção oficial que os traficantes conseguem.
E tem de atacar as causas de todo esse descompasso social:
reduzir a pobreza, criar oportunidades de emprego, educação,
acesso a serviços e a programas sociais

jornalista Reveles (publicado no O Globo)

De acordo com o chefe da Inteligência Nacional do México, Guillermo Valdes, no período compreendido de dezembro de 2006 a 02 de agosto de 2010, mais de 28 mil pessoas morreram em episódios ligados à ação do tráfico de drogas.

É evidente que as ações do narcotráfico são bem anteriores ao ano de 2006, mas em nível de política de combate ostensivo ao narcotráfico pelo governo, esta teve início nesta época, lançada pelo então e atual presidente do México, Felipe Calderon, o qual - inclusive – não tira a responsabilidade também dos EUA pela situação a qual se encontra o país.

Por sua vez, segundo a BBC Brasil, o governo mexicano também já sofreu duras críticas em razão da política ostensiva de combate ao narcotráfico através de ações militares aos cartéis de drogas, não combatendo - também - outros aspectos relacionados ao tráfico de drogas e o aumento da violência no país, como o vício propriamente dito, a corrupção, o desemprego ou a falta de oportunidades existentes nas áreas onde os traficantes atuam.

Os números da violência não param. Segundo o mesmo veículo de comunicação, 2010 já está sendo apontado como o ano mais violento do país (desde o início da campanha do governo contra o narcotráfico em 2006), com uma estimativa de cerca de 7 mil mortos em decorrência da violência ligada ao tráfico de drogas.

Só nos últimos sete dias (notícia publicada ontem), o número de óbitos pelos mesmos motivos já ultrapassou a casa dos 100.

Vale ressaltar, no entanto, que o país é grande e existem áreas que os índices de violência são baixos.

As cidades que apresentam os maiores índices de violência são, em geral, aquelas fronteiriças do norte do México. A Ciudad Juarez e Tijuana são as que apresentam os maiores índices de violência, sendo a primeira considerada a mais violenta do país e do mundo (2009). Os estados de Michoacan e Guerrero também apresentam níveis de violência.

O tráfico de drogas é um negócio que movimenta muito dinheiro. Para se ter uma ideia de sua magnitude, o professor de direito Edgardo Buscaglia, um dos maiores especialistas em crime organizado do mundo e assessor da ONU, em entrevista ao jornal "Dallas Morning News", afirmou que o tráfico de drogas gera entre 44% e 48% da renda bruta total do país por ano.

E, de acordo com a Associação de Bancos do México (ABM), anualmente, o narcotráfico lava um montante entre US$ 19 bilhões e US$ 29 bilhões. A maior parte desse dinheiro é destinado para a compra de armamento pesado usado nos confrontos entre os cartéis e as forças de segurança do país.

A situação caótica por qual perpassa o Méxixo diante do aumento da violência associada ao tráfico de drogas e das ações dos cartéis do narcotráfico é algo que tem que ser tratado não só ao nível de poder público, mas também na esfera da sociedade.

E faço das palavras do jornalista Reveles as minhas, pois a rede de abrangência do tráfico de droga é muito ampla. Não basta atacar somente um ponto, sem abranger os demais que se encontram intrinsecamente ligados. Além disso há a necessidade de oferecer políticas capazes de assegurar investimentos maiores ao sistema educacional do país, a programas sociais, à construção e ampliação de Centros de Tratamento a viciados, bem como na geração de novas oportunidades de emprego à população..




Cerca na fronteira entre a densamente povoada cidade de Tijuana (México) e San Diego (Estados Unidos0), no setor da Patrulha Fronteiriça. (Fonte: Wikipedia)



Bandeira do México (Fonte: Wikipedia)




Presidente do México, Felipe Calderon (Fonte: Wikipedia)



Sítio arqueológico de Chichén-Itzá (Fonte: Wikipedia)





Palácio Nacional, Cidade do México (Fonte: Folha OnLine)





Catedral Metropolitana da Cidade do México (Fonte: Folha OnLine)





Casa Azul e, hoje, museu, onde a pintora Frida Kahlo nasceu (Fonte: Viajeaqui)





Praia deserta no caminho de Tulum (Fonte: Viajeaqui)






Comércio de bonequinhos de Cháves e Chiquinha (Fonte: Viajeaqui)




Para ver imagens da Guerra contra o Narcotráfico no México, clique AQUI! Aviso, há imagens fortes.



Fontes de Consulta

. A Guerra Contra o Narcotráfico no México

. Calderón: EUA também são responsáveis por violência do tráfico no México

. Cidade do México - Centro histórico

. Index Mundi

. México tem semana mais violenta em anos

. Países@IBGE

. Saiba mais sobre o problema do tráfico de drogas no México

. Violência em zonas próximas à fronteira com os EUA assola o país

. Wikipedia

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