sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Texto para Refletir: Desenvolvimento Sustentável

Navegando na Internet encontrei o texto abaixo (Meu Mundo Sustentável) e achei interessante compartilhar neste espaço, sobretudo, para os alunos do Colégio Prof. José de Souza Marques, que estão tratando o tema (Desenvolvimento Sustentável) sob a forma de Atividades Dirigidas.



Imagem capturada na Internet (Fonte: Jovem Pan on Line)



DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL

Lélio Costa e Silva*


Eram 169 pulgas, 38 carrapatos e 75 piolhos. Todos moravam num cão de rua. Naquele “planeta”, os carrapatos preferiam o interior das orelhas, os dedos, a cernelha e as axilas. No dorso, lombo e abdômen viviam as pulgas. Os piolhos no restante. O cão era uma coceira só. Sugavam o sangue inoculando-lhe uma saliva irritante. Dia e noite, domingos e feriados.

Um dia alguém percebeu que o alimento estava caindo de qualidade – um sangue ralo e cada vez mais cor-de-rosa. Seria necessária uma assembléia de todos os moradores.

Na semana seguinte teve início a I Conferência Planetária do Meio Ambiente. O fórum escolhido foi o dorso do animal. Compareceram 292 pulgas, 94 carrapatos e 101 piolhos. Após a aprovação do regimento da Conferência, uma pulga fez uso da palavra:

- Senhoras e senhores, tenho notado uma drástica diminuição dos nossos recursos naturais. O planeta está anêmico!

- As culpadas são vocês mesmos suas pulgas imediatistas… atacou uma fêmea de carrapato entumescida de sangue.

- Que nada, nós até sabemos reciclar…

- Não entendi, interpelou um piolho.

- Nossas larvas, futuras pulgas, são alimentadas com nossos próprios dejetos… isto é ou não é reciclagem?

- Acho que tudo é uma questão política, completou outro carrapato.

E a reunião prosseguiu acalorada.

De repente o “planeta” começou a balançar…

- Efeito estufa? Aumento da temperatura global? Queimadas? Terremotos? Ou efeito do buraco na camada de ozônio?

Na verdade era o cão que se coçava desesperadamente num solitário jequitibá… Ouvindo toda a discussão a árvore tentou ajudar:

- Gente! Vocês já ouviram falar em “desenvolvimento sustentável”?

Todos silenciaram para escutar.

- Antigamente essa praça era uma floresta. Inúmeras árvores de variadas espécies. Produzíamos flores, frutos, abrigos, sombra e madeira. As folhas mortas e os restos dos animais se decompunham rapidamente com a ação do calor e da umidade frequente.

Assim todos os nutrientes eram devolvidos à terra-mãe, alimentando-nos e possibilitando o nascimento de novas plantas. Tudo aqui era biodiversidade. Existiam orquídeas, bromélias, cipós e toda a vida animal. As copas amenizavam a queda da chuva que suavemente deslizava entre os galhos. Não havia erosão. De vez em quando cortavam algumas árvores.

Nem precisavam reflorestar. Nós mesmas fazíamos o replantio com a ajuda dos morcegos, frugívoros, cutias, gralhas, borboletas, beija-flores e até do vento. Assim a floresta se AUTO- SUSTENTAVA.

Mas um dia começaram a nos desmatar além da conta… logo fiquei sozinha. hoje virei mictório de cães e de gente. As minhas folhas são impiedosamente varridas. Não têm mais o direito de apodrecer ao pé da árvore-mãe…

- Mas afinal o que é desenvolvimento sustentável? – perguntou um piolho aflito.

- É cada um sugar sem exageros o alimento e dar tempo ao “planeta” de se recuperar…

- Vamos ter que produzir economizando, lembrou um carrapato demonstrando preocupação
- afinal todos nós podemos jejuar mais de um mês…

E a plenária efervesceu. Foram criados manifestos e leis ambientais. Publicaram a “Carta dos Ectoparasitos”. Elegeram-se delegados. Todos se comprometeram…

Ao final dos debates já haviam 3.090 pulgas, 2.348 carrapatos, 2.251 piolhos… No dia seguinte, o cão morreu.

* Médico Veterinário

4 comentários:

Tamiris Neves disse...

Se nos não prestarmos atenção à Terra, ela terá o mesmo final do cachorro.

Bruna Kely disse...

Nossa professora e bem legal em! Gostei muito da senhora ter compartilhado, e é bem parecido com o mundo que estamos vivendo agora.

Marli Vieira de Oliveira disse...

Tamiris e Bruna,

Que bom que vocês gostaram! Realmente, devemos pensar no amanhã e nas gerações futuras.

Este tipo de comportamento, de modelo de vida e de estratégias de exploração para si, de cunho imediatista, só não afetará o cachorro (no caso analógico, o planeta), como a todos, ou seja, as pulgas, carrapatos e piolhos (por outra análise, todos os seres vivos, animal e vegetal).

Beijos

Andrea Mieko disse...

Ooi,.. obrigada por indicar a fonte!

Vou usar a foto que vocês conseguiram do cachorro, tudo bem?

Beijos e obrigada!!
O blog tá lindo!