domingo, 18 de setembro de 2016

História das Paralimpíadas



Com uma Programação de 11 dias de competições, os Jogos Paralímpicos chegam ao fim, neste domingo. A XV Paralimpíada (Rio 2016) foi aberta no dia 07 de setembro, em uma Cerimônia realizada no Maracanã e, hoje, dia 18/09, serão encerrados com cerimonial no mesmo estádio. Finalizando assim, não apenas o segundo megaevento esportivo programado, mas também o período de grande agitação em nossa cidade, mais especificamente, nos locais das diversas competições esportivas e nos chamados Boulevares Olímpicos (Porto Maravilha, Madureira e Campo Grande). Vai deixar saudades, vai deixar novas perspectivas de superação, vai deixar um legado...

Para início de conversa, vou tirar algumas dúvidas levantadas por alguns alunos, para os quais eu expliquei em sala de aula, acerca do uso de diferentes expressões para um mesmo fato. Eu já havia pesquisado anteriormente, pois além de atender a minha curiosidade, eu sabia que alguns iriam me questionar por ocasião dos trabalhos e das discussões sobre ambos eventos esportivos.

. Olimpíada ou Olimpíadas? Quando falamos em um única Edição dos Jogos Olímpicos, a palavra correta é no singular, ou seja, Olimpíada, como “XXXI Olimpíada do Rio de Janeiro (2016)”. Ao nos referirmos a mais de uma edição empregamos a palavra no plural, exemplo, “As Olimpíadas Modernas tiveram início a partir do ano de 1886”.

. Paraolimpíada ou Paralimpíada? Esta questão passa por alteração da expressão solicitada pelo próprio Comitê Paralímpico Internacional ao nosso país (Brasil), uma vez que outros países de língua portuguesa, como Portugal, Timor-Leste, Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, São Tomé e Príncipe usam a expressão “Paralimpíada” ou “Paralímpica”. O Brasil é o único país, de língua portuguesa, a empregar a referida palavra com a letra “o”. Sendo assim, a mudança se fez necessária a fim de igualar o emprego da mesma em todos os países, cujo idioma oficial é o Português.  

Embora, ainda, possa soar um tanto estranho para nós, os efeitos à mudança é mais uma questão de hábito. Aos poucos ninguém mais vai se atrapalhar ao mencionar a palavra na forma atual ou achar que está falando errado.

. Origem da palavra Paralimpíadas: Esta questão não foi nem levantada pelos meus alunos, mas eu cheguei a esclarecer baseada na pesquisa que havia realizado por ocasião da elaboração dos meus artigos sobre as Olimpíada e Paralimpíada.

Na verdade, foi o meu esposo que discordou comigo ao ouvir de um comentarista esportivo (não lembro de qual emissora) que o nome surgiu porque os jogos ocorriam de forma integrada e após a uma Edição das Olimpíadas (ocorrência em “paralelo”).

Eu discordei dele com base no resultado da minha pesquisa e, diante deste equívoco, achei melhor tratar a referida questão não só em sala de aula, como neste espaço.

A expressão Paralimpíada deriva da contração das palavras "paraplegia" e "olimpíadas". Paraplegia é um termo médico empregado quando o paciente não consegue movimentar ou sentir os membros inferiores, resultante por uma lesão na medula espinhal, o que lhe impede de andar e/ou permanecer sentado.

Inicialmente, esta passou a designar o evento poliesportivo quando a participação de portadores de deficiência física-motora foi aceita, integrando-a ao período das Olimpíadas. Mas, este processo não foi de um dia para outro e, nem sempre, pode ocorrer devido às necessidades de uma infraestrutura específica, adaptada a fornecer condições adequadas à acessibilidade dos atletas portadores de deficiências físicas. Ademais, com o passar dos anos, as modalidades esportivas dos Jogos Paralímpicos se expandiram permitindo, também, a inclusão de atletas com outras deficiências.


O Início de Tudo: A História das Paralimpíadas

De acordo com AUGUSTO e BRANCATTI (2010), o esporte adaptado voltado para pessoas com deficiência especial já existia desde o início do Século XX, quando - por volta de 1922 - foi fundada a Organização Mundial de Esportes para Surdos (CISS), na qual os portadores de deficiência auditiva se organizavam e realizavam sua própria competição, os jogos silenciosos. Antes mesmo de se cogitar a integração do esporte para portadores de deficiência física, lesionados na coluna vertebral, que marcou as raízes do movimento Paralímpico.

O contexto histórico que assinala o movimento inicial dos Jogos Paralímpicos se funde no período após a II Guerra Mundial (1939-1945) e o trabalho de reabilitação médica em militares feridos no referido conflito, portadores de deficiência físico-motora (lesão medular).

Para muitos veteranos deste grupo, os combates os pouparam da morte física, mas os conduziram a uma condição de morte incompleta. Mas, a “luz no final do túnel” surgiu para alguns e foi alcançada a partir do empenho físico e a determinação em lutar pelo espírito de superação. E coube ao médico neurologista alemão, de origem judia, Ludwig Guttmann, que havia fugido da Alemanha nazista e se encontrava morando e trabalhando na Inglaterra, na época, a alimentar a tal “luz no fundo do túnel” e proporcionar que muitos superassem os seus próprios limites.

 Ludwig Guttmann
Imagem capturada na Internet
Fonte: Wikipedia

Diante do número elevado de militares lesionados na coluna vertebral, o referido médico foi designado pelo governo britânico a chefiar o Centro Nacional de Lesionados Medulares, localizado na cidade de Stoke Mandeville, com a principal incumbência de desenvolver programa de reabilitação voltado para esses veteranos de guerra.

Sua filosofia de tratamento atrelava trabalho e esporte. Entre as modalidades esportivas usadas no tratamento, os pacientes contavam com o basquetebol, tiro com arco, dardos e bilhar. Os resultados obtidos em seu programa de reabilitação fizeram tanto sucesso que, este promoveu, de forma intencional, no dia 28 de julho de 1948, a primeira competição esportiva voltada para portadores de deficiência física, isto é, os Jogos Desportivos de Stoke Mandeville.

Foi intencional por ter sido escolhido na mesma data de abertura da XIV Olimpíada de Londres (1948). Participaram apenas 14 atletas masculinos e 2 competidoras femininas.

A segunda edição dos Jogos Desportivos de Stoke Mandeville, em 1952, contou com um maior número de portadores de deficiências, sendo registrado a participação de 130 competidores.

Esses primeiros Jogos (1948 e 1952), realizados na cidade britânica, representam os passos iniciais para a concretização dos Jogos Paralímpicos, cuja estreia oficial só veio a acontecer na XVII Olimpíada de Roma, em 1960

De acordo com o levantamento realizado, cerca de 400 atletas de 23 países participaram e disputaram oito modalidades esportivas, na “I Paralimpíada”, a saber: basquete em cadeira de roda, tiro com arco, atletismo, tiro de dardo, sinuca, natação, tênis de mesa e esgrima em cadeira de roda.



 Imagens capturadas na Internet
Fonte: Mobgraphia

Chamado também de "Olimpíadas dos Portadores de Deficiência", o sucesso obtido pelas competições fortaleceu o seu próprio movimento, tendo como resultado a fundação da Federação Mundial de Veteranos e que não parou de crescer.

Em 1964, os Jogos Internacionais de Stoke Mandeville (ou II Paralimpíada) ocorreram novamente em paralelo à mesma cidade das Olimpíadas, ou seja, em Tóquio, no Japão.

Em 1968, a realização de ambos os eventos esportivos não poder ser na mesma cidade, pois a Cidade-Sede que era a Cidade do México (capital) acabou optando por desistir dos “Jogos Paralímpicos” em razão de problemas financeiros e pela falta de acessibilidade para os atletas e outras pessoas cadeirantes nos locais de competição. Com isso, os “Jogos Paralímpicos” (ou III Paralimpíada) foram sediados em outra cidade, Tel Aviv, em Israel.

Em 1972, a mesma situação se configurou, com a realização em separado de ambos os eventos, em consequência da falta de acessibilidade na Vila Olímpica de Munique, na Alemanha Ocidental.  Heidelberg, outra cidade alemã, se ofereceu e acolheu as competições da “IV Paralimpíada”.

Em 1976, a Olimpíada e a “V Paralimpíada” foram realizadas no Canadá, mas em cidades diferentes. Sendo a primeira em Montreal e, a segunda, em Toronto. Foi a primeira vez que os “Jogos Paralímpicos” foram realizados no continente americano. Mas, um fato a ressaltar nesta edição foi a inclusão de outras categorias de portadores de deficiência, como os deficientes visuais e os amputados.

Em 1980, os jogos da “VI Paralimpíada” foram realizados em Arnhem (Países Baixos), reunindo 1.973 atletas de 42 países.

Quatro anos depois, em 1984, já consagrada como Paralimpíada (o termo foi aprovado pelo Comitê Olímpico Internacional - COI), a sétima edição foi realizada em países diferentes e, em continentes distintos. Os atletas em cadeira de rodas competiram em Stoke Mandeville, no Reino Unido, enquanto os atletas com paralisia cerebral, deficiências visuais, amputados e outros participaram do Jogos em Nova York (EUA). No Reino Unido, 1.100 atletas de 41 países participaram do evento esportivo, enquanto o número de atletas e de países participantes em Nova York foram, respectivamente, 1800 e 45.

A VIII Paralimpíada, ocorrida em Seul, na Coreia do Sul, em 1988, teve 3.013 atletas participantes de 63 países.  

Em 1992, a cidade-sede dos IX Jogos Paralímpicos foram Barcelona, na Espanha. Ao todo foram 2.021 competidores de 82 países.

As edições dos Jogos Paralímpicos dos anos posteriores seguiram a seguinte ordem cronológica até o ano em curso (2016), com o XV Paralimpíada do Rio:

.  X Paralimpíada: Atlanta, 1996 (EUA) – 3.195 atletas de 103 países;

.  XI Paralimpíada: Sydney, 2000 (Austrália) – 3.843 atletas de 122 países;

.  XII Paralimpíada: Atenas, 2004 (Grécia) – 3.806 atletas de 136 países;

.  XIII Paralimpíada: Pequim, 2008 (China) – 3.951 atletas de 146 países;

.  XIV Paralimpíada: Londres, 2012 (Reino Unido) – 4.294 atletas de 164 países;

.  XV Paralimpíada: Rio de Janeiro, 2016 (Brasil) – 4.500 atletas de 161 países;

Como era de se esperar, nos primeiros jogos, a única deficiência presente foi a lesão na medula, permanecendo restritos a essa deficiência até o ano de 1972, quando outras foram incluídas nas competições (deficiência visual e amputação). Hoje, as Paralimpíadas incluem:

- Deficientes físicos, por sequelas de lesão medular, poliomielite e amputação (uso de prótese ou cadeira de roda);

- Deficientes visuais (cegueira) que, dependendo da modalidade esportiva, necessita do acompanhamento de um guia-atleta ou de um guia-indicador

Os guias atletas são unidos à mão do atleta por meio uma corda, que não pode ser elástica e nem ultrapassar a medida de 1 metro. Não podendo, ainda, este empurrar ou impulsionar o atleta deficiente visual.

O Comitê Paralímpico Internacional permite que, na prova de Maratona, cada atleta com esta deficiência tenha dois guias, para que haja revezamento entre eles nas quilometragens 10, 20 e 30.

No caso do Paratriatlo que, pela primeira vez, está sendo disputado em uma Paralimpíada, os atletas contam com apenas um único guia para as três modalidades esportivas (natação, ciclismo e corrida), o qual – de acordo com o Regulamento da Federação Internacional de Triatlo – deve ser do mesmo sexo e nacionalidade do atleta.

O que diferencia é a forma como ambos, o guia e competidor, participam conjuntamente em cada modalidade. Na natação, eles são unidos por meio de cordas na cintura ou na perna. No ciclismo, a bicicleta tem dois lugares para a acomodação de ambos. Na corrida, eles podem ser amarrados por um cinto “portadorsal” ou por uma corda, tendo cada um segurando uma ponta da mesma.

Os guias indicadores são aqueles que, situados em uma zona regulamentar, avisam o momento exato em que o atleta deve iniciar ou que está próximo da chegada. Estes os orientam por meio de palmas, vozes ou pela acústica do ambiente (uso da audição).

O golbol, que consiste no arremesso bola com as mãos ao gol do adversário, foi criado especificamente para atletas com deficiência visual. Nessa modalidade não há necessidade de guia-atleta, pois a audição é que serve de guia-indicador. No interior da bola há guizos que servem para detectar a trajetória da bola durante o jogo. Além da audição, o tato também é explorado, pois todas as linhas do campo são marcadas em relevo para que possam ser reconhecíveis pelos jogadores.

No futebol de 5 (específico para deficientes visuais), a bola também tem guizos em seu interior e os jogadores contam também com a orientação de guias indicadores, que ficam posicionados atrás dos gols, auxiliando-os nas jogadas e no direcionamento dos chutes ao gol. O campo é em terreno descoberto e os três terços do campo são demarcados. O goleiro é o único que tem visão normal, mas - segundo o Regulamento oficial - ele não pode ter participado de competições da Fifa nos últimos cinco anos.

Com relação ao judô entre os deficientes visuais, a única regra é que os competidores devem começar e permanecer nas provas agarrados, um ao outro. No caso de ambos se soltarem, em algum momento da competição, o árbitro deve interromper a prova para os mesmos voltem a competir agarrados. Além dos gestos convencionais, os juízes se comunicam por novos sinais auditivos e táteis para comunicar as decisões aos judocas.

- Deficientes Mentais: Em razão de denúncias de fraudes e das dificuldades em determinar o conceito real de "deficiência mental", em 2000, os portadores de deficiência mental foram excluídos dos Jogos Paralímpicos.

De acordo com as fontes de pesquisa, vários atletas sem a referida deficiência foram escalados na equipe de basquetebol da Espanha, inclusive, um jornalista infiltrado e que denunciou a estratégia fraudulenta da Delegação.  

Contudo, em 2004, durante a Assembleia Geral do Comitê Paralímpico Internacional, realizada no Cairo (Egito) foi aprovada uma resolução que permitiu o reingresso dos portadores de deficiência mental nos jogos.

- Paralisia Cerebral;

- Nanismo.


Vale destacar aqui, que os deficientes auditivos não competem nas Paralimpíadas, porque além de terem uma competição específica a nível mundial, a Surdolimpíada (Deaflympics, em inglês), o Comitê Internacional de Desportos de Surdos (ICSD) não é filiado nem ao Comitê Olímpico Internacional (COI) e nem ao Comitê Paralímpico Internacional (IPC). 


Modalidades Paralímpicas

1. Atletismo;
2. Basquete em cadeira de roda;
3. Bocha;
4. Canoagem Velocidade;
5. Ciclismo de Estrada e de Pista;
6. Esgrima em cadeira de roda;
7. Futebol de 5;
8. Futebol de 7;
9. Goaball (Goball);
10. Halterofilismo;
11. Hipismo;
12. Judô;
14. Natação;
14. Remo;
15. Rugby em cadeira de roda;
16. Tênis de Mesa;
17. Tênis de cadeira de roda;
18. Triatlo;
19. Vela;

20. Vôlei sentado.


Fontes de Consulta

Atletismo. Brasil 2016

. AUGUSTO e BRANCATTI, Esporte Adaptado: Conceito Histórico e Evolução na Cidade de Presidente Prudente. 2010 (disponível em PDF)

. Como competem guias e deficientes visuais nos diferentes esportes paralímpicos. El País

. Conheça as Modalidades e Entenda coimo são Classificados os Atletas nas Paralimpíadas. ESPN

História das Paralimpíadas e suas Modalidades #Superação2016. Mobgraphia 

. Jogos Paralímpicos. Wikipedia

Paraolimpíadas. Cola da Web

Por que atletas surdos não participam dos Jogos Paralímpicos? Esporte/IG

2 comentários:

Marianne Lima disse...

Ainda bem que antes do teste relâmpago tinha dado uma olhada no seu blog,e acertei essa questão onde perguntava sobre as paraolimpíadas. Como sempre a senhora me ajudando !!

Nome:Marianne de Lima
Turma:1901

Marli Vieira de Oliveira disse...

Marianne, que bom, viu? Como ponto extra, o Teste Relâmpago ajuda muitos alunos, principalmente, aqueles que buscam se atualizar. Beijos