quarta-feira, 22 de junho de 2016

23 de Junho: A Grande Decisão do Reino Unido frente à União Europeia


Imagem capturada na Internet
Fonte: Syntagma

Amanhã, dia 23 de junho, os europeus e, mais especificamente, os britânicos estarão delineando o futuro socioeconômico e político do Reino Unido a partir da votação popular em um plebiscito que vai ocorrer sobre a sua permanência ou não na União Europeia.

Na atualidade, o que mais se ouve e se lê nas mídias é o termo “Brexit”, isto é, a referência a esta questão da possível saída do Reino Unido da União Europeia. O termo amplamente divulgado é a abreviação das palavras, em inglês, Britain (Grã-Bretanha) e exit (saída).

Quem propôs a realização do plebiscito foi o Primeiro-Ministro do Reino Unido (e líder do Partido Conservador), David Cameron, cuja opinião pessoal é favorável à sua permanência no bloco econômico. A realização do referido plebiscito foi uma promessa dele durante a sua Campanha às eleições parlamentares em 2015.

Primeiro-Ministro do Reino Unido - David Cameron
Imagem capturada na Internet
Fonte: Wikipedia

No entanto, as pressões internas em defesa da sua saída do bloco aumentaram com o crescimento eleitoral do partido nacionalista Ukip (UK Independence Party ou, em português, Partido de Independência do Reino Unido).

A União Europeia é composta – atualmente - por 28 países-membros e, desde a sua criação, o bloco só tem se ampliado devido às novas adesões. O último país a integrar o mesmo foi a Croácia, em julho de 2013, havendo ainda fortes candidatos a ingressar, como a Islândia, Montenegro, Macedônia e Turquia. Além destes, também, são candidatos, a Sérvia, a Bósnia-Herzegovina, a Albânia e o Kosovo. Este último, no entanto, apresenta certas restrições porque sua independência não é considerada por todos os países-membros da UE.

Desde que a crise econômica – iniciada em 2008 nos EUA - arrastou os países-membros da chamada Zona do Euro (países que adotaram a moeda única do bloco, o Euro), a Grécia ameaçou sair do União Europeia, em 2012.

Ela foi o primeiro país-membro a sofrer com a crise e de forma mais agressiva, pois atuou de forma mais indisciplinada nos gastos públicos e se endividou excessivamente. Além da Grécia, outros países-membros também se encontram em situação similar, tais como Portugal, Irlanda, Itália e Espanha.

Diferentemente, de razões de déficit orçamentário ou da própria crise que abateu no mundo todo e, em especial, na União Europeia, a decisão a ser tomada amanhã – no plebiscito - por meio de voto popular coloca em questão a situação peculiar do Reino Unido no que diz respeito, entre outros motivos:
- Nas últimas décadas, a União Europeia cresceu muito, exercendo cada vez mais controle efetivo sobre a vida cotidiana dos britânicos (argumento da ala dos conservadores);

- A defesa da soberania nacional;

- O orgulho pela identidade britânica;

- Desconfiança com a burocracia de Bruxelas, em termos econômicos, tendo em vista que – segundo especialistas – a economia britânica é, atualmente, muito mais criativa e dinâmica sendo prejudicada pelo bloco;

- O controle de suas fronteiras em face do “Espaço Schengen” firmado entre os países-membros da União Europeia (condição de não haver fronteira política entre os países do bloco, permitindo a livre circulação de pessoas);

- Questões de segurança interna e defesa (a UE restringe o poder de controle do governo sobre quem entra no país, isto é, os imigrantes e os riscos de atentados terroristas).

A decisão está nas mãos dos britânicos e o que está em jogo é o futuro do Reino Unido, de sua integridade, de sua economia, de sua política, de sua população e dos serviços.

De acordo com muitos especialistas, afirmar as consequências da aprovação de sua saída do bloco é algo muito difícil de prever, suposições existem, mas nada pode ser assegurado.


Vamos esperar para ver...

"Se os ingleses, apesar de todo o estatuto especial que conseguiram, 
se vêem como meros vassalos europeus, 
o que dirão então os portugueses? 
Seja qual for o resultado do referendo, 
é bom que o mesmo sirva para se perceber 
que a União Europeia tem que levar uma grande volta. 
Como está, não pode continuar".
Luís Menezes Leitão (Syntagma)

Fontes de Consulta

. BBC Brasil

. Jornal O Globo impresso (várias edições)

. Portal G1

. Revista Exame

. Syntagma

. Último Segundo

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