terça-feira, 28 de abril de 2009

Mensagem: Nem tudo é o que aparenta

Imagem capturada pela Internet




NEM TUDO É O QUE APARENTA

Autor Desconhecido


Dona Angélica era professora. Residia em uma pequena cidade e dava aulas numa vila próxima.

Não era considerada uma pessoa equilibrada em razão do seu comportamento, que parecia um tanto esquisito. Os alunos da escola de primeiro grau a tinham como uma pessoa muito estranha.

Eles observavam que a professora, nas suas viagens de ida e volta do lar à escola, fazia gestos e movimentos com as mãos, que não conseguiam entender, e por esse motivo, pensavam que ela era meio fora do juízo.

Pela janela do comboio, Dona Angélica fazia acenos com se estivesse dizendo adeus a alguém invisível aos olhos de todos. As crianças faziam zombarias, criticavam-na, mas ela não sabia, pois os comentários eram feitos às escondidas.

Todos, inclusive os pais e demais professores achavam que ela era maluca, embora reconhecessem que era uma excelente educadora.

Os anos se passavam e a situação continuava a mesma. Várias gerações receberam, da bondosa e dedicada professora, ensinamentos valiosos e abençoados. Dona Angélica era uma pessoa de boas maneiras, calma e gentil, mas não muito bem compreendida.

Envelhecia no exercício do dever de preparar as crianças para um futuro melhor, com espírito de abnegação e devoção quase maternal.

Certo dia em que viajava para sua querida escola, com diversas crianças na mesma classe do comboio, movimentava, como sempre, as mãos para fora da janela. Os alunos sentados na parte de trás sorriam maliciosamente quando Alberto, seu aluno de dez anos, porque amava muito sua mestra, sentou-se ao seu lado e, com ternura, lhe perguntou:

- Professora, porque é que insiste em continuar essas atitudes loucas?

- Que quer dizer, filho? Interrogou, surpresa, a bondosa senhora.

- Ora, professora... - continuou ele - Você fica dando adeus para os animais, abanando as mãos... Isso não é loucura?

A mestra amiga compreendeu e sorriu. Sinceramente emocionada, chamou a atenção do aluno, dizendo:

- Veja esta bolsa - e apontou para a intimidade do objeto de couro forrado. - Nota o que há lá dentro?

- Sim. Respondeu, Alberto.

A professora, calmamente, continuou a falar:

- São pólens de flores. São sementes miúdas... Há quase vinte anos eu passo por este caminho, indo e vindo da escola. A estrada, antes, era feia, árida, desagradável.

Eu tive a ideia de embelezar, semeando flores. Desse modo, de quando em quando, junto sementes de belas e delicadas flores do campo e as atiro pela janela.

Sei que caindo em terra amiga e, acarinhadas pela primavera, se transformarão em plantas a produzirem flores, dando cor e alegria à paisagem.

Como você pode perceber a paisagem já não é mais árida. Há flores de diversos matizes e suave perfume no ar, que a brisa se encarrega de espalhar por todos os lados.

Na vida, todos somos semeadores... Uns semeiam flores e descobrem belezas, perfumes e frutos.
Ninguém vive sem semear, seja o bem, seja o mal...

Felizes são aqueles que, por onde passam, deixam sementes de amor, de bondade de afeto.

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